domingo, 27 de setembro de 2009

O dizeres

Vô Filemon, 87 anos de malandragem sertaneja:

"O mundo é que nem buchada, só vai com cachaça."

"Quem ouve o que os outros dizem ou é doido, ou quer morrer."

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Tempo, tempo, mano velho

Gosto do tempo como está hoje: indeciso: nem quente, nem frio, nem chuvoso, nem ensolarado.

É um tempo encoberto, tímido e manso, como tudo de que gosto mais na vida.

Ele não inventa, nem venta, tem a umidade e a luminosidade necessárias para um dia sem sobressaltos.

domingo, 20 de setembro de 2009

Festa

Rolou uma festa sábado à noite numa mansão do Humaitá, o bairro do Rio que fica embaixo do suvaco direito do Cristo. A vista é massa: o céu preto, com a silhueta da Serra da Carioca no horizonte próximo e o Cristo brancão cintilando lá em cima.
Aqui embaixo, na festa, também tava legal. Era o lançamento de uma mostra de cinema argentino, em cartaz no CCBB. Muitos artistas, atores, atrizes, cineastas, jornalistas, escritores, bloggeiros, produtores; todos devidamente desconhecidos. A galera não era nada absurdete. Era uma gente inteligente e bem vestida, mas que chega na humildade, tem educação, fala em tom normal, não grita, não faz escândalo, não causa.
O único momento de afetação foi protagonizado pela protagonista da nova novela das oito, esta redundante "Viver a Vida", a tal de Thais Araújo. Ela chegou com o namorado, Lázaro Ramos, olhou pra cara de todo mundo, não disse nada e vazou rindo. Superesnobe!
Mas o melhor da festa era a caipirinha de cachaça Montanhesa, de Minasssss, sô. Masssssssssa! Cachaça mineira é foda. Bebi todas (tangerina, lima da pérsia, morango) e nada de ressaca no outro dia.

Simplesmente ela

Acabo de assistir à peça "Simplesmente, eu: Clarice Lispector", um monólogo interpretado por Beth Goulart. Fosse eu analfabeto ou sequer tivesse lido uma frase de Clarice, mesmo assim gostaria do que ouvi e, sobretudo, vi.
A luz da peça causa dois momentos hipnóticos. O primeiro é quando Beth entra em cena fumando. Clarice tragava como ninguém, na quantidade e na qualidade do ato. É a primeira cena, a personagem não diz nada, a luz diz tudo: solidão.
A última cena também é hipnótica, depois de falar da morte, Clarice diz "Amém" e morre. É o fim, mas ainda não convoca o aplauso. A luz vai do clarão ao breu e volta pro cinza. Beth/Clarice vira um silhueta fatasmagórica no centro do palco. Bravo!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

9/9/2009

Superstição é coisa que não me comove. Já editei horóscopo, e cada linha, se bem lida, exala puro charlatanismo. Mas acabo de assistir a uma reportagem do Fabio Judice, repórter gente boa, sobre a data de hoje: 9/9/2009. Resumindo, um engenheiro e numerólogo (?!) disse que essa repetição de números têm um significado, sim: revolução. Como me convém, achei supimpa, talvez premonitório do que sucederá esses dias de merda.

Nietzsche

"Os homens, em sua maioria, estão ocupados demais para serem malvados."

"Elogiamos e censuramos, a depender de qual nos dá mais oportunidade de fazer brilhar nosso julgamento."

Palavras do velho Friedrich.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Aluguel foi o cão que inventou

Moro num conjugado em Copacabana que fica na avenida da putaria e tem vista para a parede do prédio vizinho, mas a uma quadra da praia. Isso leva a minha locatária pensar que tenho uma árvore de dinheiro plantada na sacada que não existe.
Hoje, fui pagar o aluguel _900 pratas_, e a d. Selma, procuradora da dona do apê, comunicou que, a partir de dezembro, sobe pra MIL. Afinal, é alta temporada. De roubo, só pode.
Argumentei: o índice de reajuste de preços do aluguel caiu, temos uma deflação.
D. Selma: mas o preço dos imóveis subiu.
Por quê? Só o Rio consegue se valorizar num mundo que vive a maior crise pós-1929 e justamente provocada pela supervalorização dos imóveis.
Será que o preço é indexado às novelas da Globo? E vem aí mais uma merda escrita pelo Manoel Carlos, direto do Leblon...