quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Cortázar

Acabei de ler "A Volta ao Dia em 80 Mundos". Foi a primeira vez que li Julio Cortázar. O livro é uma sucessão de impressões do escritor belgo-argentino sobre literatura, música, comportamento. Ainda não entendi bem o que ele chama de cronópio, mas vou me identificando com algumas definições.

Eis um trecho extraído da página 172:

"Nietzche, que era um cronópio como poucos, disse que só os imbecis não se contradizem três vezes por dia. Não se referia às falsas contradições que quando se arranha um pouco são hipocrisia (o senhor que dá gorjeta na rua e explora cinquenta operários em sua fábrica de guarda-chuvas), mas à disponibilidade de bater com os quatro corações do polvo cósmico que funciona cada um por seu lado e cada um tem a sua razão e impulsiona o sangue e sustenta o universo, esse camaleonismo que todo leitor encontrará e amará ou odiará neste livro e em qualquer livro em que o poeta rejeita o coleóptero."

OU

"... ninguém pode saber quantos mundos há no dia de um cronópio ou de um poeta, só os burocratas do espírito decidem que seu dia se compõe de um número fixo de elementos..."


Tem muitas outras incontáveis coisas nas 179 páginas que gostaria de reproduzir aqui. O livro é da editora Civilização Brasileira, uma edição pocket do mesmo comprimeiro daqueles da L&PM, porém mais estreita. É um tamanho que cabe MESMO no bolso.

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